A insurgência do círculo de mulheres na contemporaneidade como revanche à opressão patriarcal

Autores

DOI:

https://doi.org/10.56242/revistaveredas;2023;6;12;65-85 

Palavras-chave:

Círculo de mulheres, Revanche, Patriarcado , Opressão

Resumo

Este artigo objetivou discutir as principais características dos círculos de mulheres tomados como instrumento de enfrentamento contra a subalternização do feminino. O despontamento de grupos organizados por mulheres na contemporaneidade parece ser sintoma de um processo de insurgência contra o modelo androcêntrico estabelecido pela ciência ocidental moderna no rastro da cultura. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, interpretativa e de cunho exploratório, com base interdisciplinar, que buscou compreender o fenômeno em questão a partir da análise bibliográfica. Os resultados apontaram que a retomada da Grande Deusa como viés discursivo parece ressituar a mulher no centro do cosmo e reordenar o universo simbólico do feminino, resgatando aspectos da natureza sagrada atribuído à mulher desde a antiguidade.

Biografia do Autor

Valquiria Barros, Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

Valquiria Barros

Doutora em Humanidades Culturas e Artes, Unigranrio; Mestre em Educação, Gestão e Difusão de Ciência, IBqM, UFRJ; Mestre em Humanidades Culturas e Artes, Unigranrio; Pós-graduação em Economia, IE, UFRJ; Graduada em Ciências Sociais, ICS, UERJ; Graduada em Comunicação Social, ECO, UFRJ. Participante do Laboratório de Ética em Pesquisa, Comunicação Científica e Sociedade (LECCS), do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM), na área de Educação, Gestão e Difusão em Biociências, do Centro de Ciências das Saúde (CCS), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Referências

Referências

BALANDIER, Georges. O poder em cena. Coleção Pensamento político. Brasília: UnB, 1986.

BARSTOW, Anne Lewellyn. La caza de brujas: historia de um holocausto. Girona: Tikal Ediciones, 1991.

BAUMAN, Zygmund. Modernidade e ambivalência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999.

BETTERNCOURT, Francisco. O imaginário da magia. Feiticeiras, adivinhos e curandeiros em Portugal no século XVI. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

BOLEN, Jean Shinoda. O milionésimo círculo: como transformar a nós mesmas e ao mundo: um guia para círculos de mulheres. São Paulo: TRIOM, 2003.

BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014.

BOURDIEU, Pierre. Escritos de Educação. Petrópolis: Vozes, 2007.

BYINGTON, Carlos. A. B. Prefácio do Martelo das feiticeiras. Rio de Janeiro: Editora Record: Rosa dos Tempos, 1991.

CAMPBELL, Joseph. O poder do mito. São Paulo: Palas Athena, 1990.

CHEVALIER, Jean. Diccionario de los símbolos. Barcelona: Editorial Herder, 1986.

ELIADE, Mircea. O Sagrado e o Profano: A Essência das Religiões. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

FOUCAULT, Michel. Em defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes, 2018.

GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 2014.

GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002.

HALL, Stuart. Identidade cultural na pós-modernidade. São Paulo: DPA, 1997.

JAPIASSU, Hilton. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Imago, Rio de Janeiro, 1976.

JUNG, Carl Gustav. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Alquimia. Estudos Alquímicos. Obras completas de C. G. Jung. Vol. 13. Trad. Dora M. R. F. da Silva. Petrópolis: Vozes, 2002.

KRAMER, Herinrich; SPENGER, James. O Martelo das Feiticeiras (Malleus Maleficarum). 6ª. ed. Rio de Janeiro: Editora Record: Rosa dos Tempos, 1991.

MACHADO, Paula Sandrine. O sexo dos anjos: um olhar sobre a anatomia e a produção do sexo (como se fosse) natural. Cadernos Pagu (24), jan-jun, p.249-281, 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cpa/a/kN4fYSQPNSWFxh9SbLGxtct/abstract/?lang=pt Acesso em: 31 de maio de 2023.

MACHADO, Patrícia Santos. Processos comunicacionais nos Círculos de mulheres e suas relações com a teologia ecofeminista. Mandrágora, v.23. n. 1, 2017, p. 33-48. Disponível em: https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/MA/article/view/7587 Acesso em: 31 de maio de 2023.

MARTINS, Ana Paula Vosne. Visões do feminino: a medicina da mulher nos séculos XIX e XX. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2004.

MINAYO, Maria Cecília. De S. O desafio da pesquisa social. In: Minayo, M. C. De S. (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2009.

MUCHEMBLED, Robert. Uma história do diabo: século XII-XX. São Paulo: Bom Texto, 2001.

MURARO, Rose Marie. A mulher no terceiro milênio: uma história da mulher através dos tempos e suas perspectivas para o futuro. Rio de Janeiro: Record: Rosa dos Tempos, 2000.

MURARO, Rose Marie. Breve introdução histórica do Martelo das Feiticeiras. 6ª. ed. Rio de Janeiro: Editora Record: Rosa dos Tempos, 1991.

PEIRANO, Mariza. Rituais ontem e hoje. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.

PINTO, Felipe Martins. A Inquisição e o sistema inquisitório. Rev. Fac. Direito. UFMG, Belo Horizonte, n. 56, p. 189-206, jan./jun. 2010. Disponível em: https://www.direito.ufmg.br/revista/index.php/revista/article/view/116 Acesso em: 31 de maio de 2023.

PORTELA, Ludmila Noeme Santos. O Malleus Maleficarum e o discurso cristão ocidental contrário à bruxaria e ao feminino no século XV. 2012. 122 f. Dissertação (Mestrado em História) - Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2012. Disponível em: https://repositorio.ufes.br/handle/10/6343 Acesso em: 31 de maio de 2023.

REED, Evelyn. Sexo contra sexo ou classe contra classe. São Paulo: Editora Instituto José Luís e Rosa Sundermann, 2011.

SANTOS, Boaventura Sousa. Um discurso sobre as ciências. São Paulo: Cortez, 2008.

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, 20 (2), 71-99. 1995. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/71721 Acesso em: 31 de maio de 2023.

SEGALEN, Martine. Ritos e rituais contemporâneos. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2002.

STARHAWK. A dança cósmica das feiticeiras: guia de rituais à grande Deusa. Rio de Janeiro: Nova Era, 2001.

THOMAS, Keith. Religião e o declínio da magia. Crenças populares na Inglaterra. Séculos XVI e XVII. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.

VALE, Ana. A mulher e a pré-história. Alguns apontamentos para questionar. A tradição e a tradução da mulher-mãe e Mulher-deusa na arqueologia pré-histórica. Conimbriga, LIV (2015) p. 5-25. Portugal, 2015. Disponível em: https://impactum-journals.uc.pt/conimbriga/article/view/1647-8657_54_1 Acesso em: 31 de maio de 2023.

WALDOW, Vera Regina. Mecanismos de opressão: uma questão de gênero. Cogitare Enferm., Curitiba, v. 1 n. 2, p. 64-69 - jul./dez, 1996. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/8760 Acesso em: 31 de maio de 2023.

WHITMONT, Edward C. O retorno da deusa. São Paulo: Summus, 1984

WOOLGER, Jannifer.; WOOLGER, Roger. A deusa interior. Um guia sobre os eternos mitos femininos que moldam nossas vidas. São Paulo: Cultrix, 2007.

ZORDAN, Paola Basso Menna Barreto. Bruxas: figuras de poder. Revista Estudos Feministas, v.13, n. 2, p. 331-341, 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ref/a/HqZwyqV5PwdyYL5Pz5bnLBG/abstract/?lang=pt Acesso em: 31 de maio de 2023.

Downloads

Publicado

2023-12-14

Como Citar

BARROS, V. A insurgência do círculo de mulheres na contemporaneidade como revanche à opressão patriarcal. VEREDAS - Revista Interdisciplinar de Humanidades, [S. l.], v. 6, n. 12, p. 65-85, 2023. DOI: 10.56242/revistaveredas;2023;6;12;65-85 . Disponível em: //periodicos.unisa.br/index.php/veredas/article/view/509. Acesso em: 12 jun. 2024.