O protagonismo da interdisciplinaridade na desconstrução do conhecimento hegemônico em saúde

O caso das Políticas de Medicina Tradicional e Complementar/Alternativa (MT/MCA)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.56242/revistaveredas;2023;6;11;41-53%20

Palavras-chave:

Saúde, Cuidado, Conhecimento tradicional

Resumo

Este artigo apresenta uma breve discussão interdisciplinar sobre a revitalização do conhecimento tradicional feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no planejamento de políticas públicas de atenção primária à saúde. As normativas da organização introduziram a perspectiva tradicional como viés para a construção de um conhecimento situado e compartilhado sobre saúde e centrado nas necessidades dos sujeitos e de suas particularidades, em colaboração com o conhecimento cientificamente legitimado. Metodologicamente, as discussões desta proposta fundamentaram-se na análise documental das normativas da OMS à luz da literatura crítica sobre a institucionalização da hegemonia do modelo biomédico de atenção à saúde em detrimento dos saberes tradicionais e complexos não oficiais. Os resultados da investigação apontaram que a cooptação das medicinas tradicionais pelos sistemas nacionais e internacionais de cuidados primários como alternativa à contenção dos agravos à saúde parece estar associada a crescente insatisfação com o modelo biomédico hegemônico e dominante.

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Publicado

2023-06-29

Como Citar

BARROS, V. O protagonismo da interdisciplinaridade na desconstrução do conhecimento hegemônico em saúde: O caso das Políticas de Medicina Tradicional e Complementar/Alternativa (MT/MCA). VEREDAS - Revista Interdisciplinar de Humanidades, [S. l.], v. 6, n. 11, p. 41-53, 2023. DOI: 10.56242/revistaveredas;2023;6;11;41-53 . Disponível em: //periodicos.unisa.br/index.php/veredas/article/view/467. Acesso em: 20 jul. 2024.