IMPACTO DA CIRURGIA ROBÓTICA ASSISTIDA NA DOR DE PACIENTES COM ENDOMETRIOSE PROFUNDA
UMA AVALIAÇÃO COMPARATIVA PRÉ E PÓS-OPERATÓRIA
Palavras-chave:
Endometriose, Cirurgia robótica, Dor pélvica, Período pós operatorioResumo
A endometriose é uma doença inflamatória crônica e sistêmica que afeta de 5% a 15% das mulheres em idade reprodutiva, com tecido endometrial formado fora da cavidade uterina. A doença apresenta sintomas debilitan tes de dismenorreia, dispareunia, dor pélvica crônica e infertilidade, que também afetam a qualidade de vida. O diagnóstico é complica do e requer um histórico médico extenso, exa mes de imagem (ultrassonografia e ressonância magnética) e, em casos duvidosos, lapa roscopia diagnóstica. O tratamento é multimodal, envolvendo terapia farmacológica, terapi as complementares e, em situações mais graves, intervenção cirúrgica. Dentre as metodo logias disponíveis, a cirurgia robótica foi iden tificada como uma modalidade segura e eficaz que melhorou a precisão, reduziu a hospitalização e encurtou o tempo de recuperação em comparação com a abordagem laparoscópica convencional. Neste estudo de coorte prospectivo, 100 pacientes com o diagnóstico de endometriose que foram submetidos à cirurgia robótica de feve reiro a maio de 2025 no Hospital e Maternida de Santa Joana, foram selecionadas para es tudar a intensidade da dor antes e depois dos procedimentos operatórios (alta hospitalar, 2 e 6 semanas). Mulheres com idades entre 18 e 65 anos classificadas como ASA II ou III foram incluídas de acordo com os critérios éticos aceitos. Os dados foram analisados estatisti camente usando o teste do qui quadrado com base no STROBE. De 100 pacientes, o acom panhamento inicial foi de 54 delas, que realizaram acompanhamento até a 6ª semana pós operatória. A idade média foi de 39,6 ± 6,8 anos, e o IMC médio foi de 32,1 ± 10,9 kg/m². A maioria tinha comorbidades, incluindo ansi edade, hipotireoidismo e hipertensão, e foram prescritos medicamentos contínuos. As cirurgias realizadas duraram em média 268,9 minutos com 3,9 dias de internação. O envolvimento ginecológico e intestinal (46,3%) foram os procedimentos mais comumente realizados. Em relação à dor, após o acompanhamento, 55,6% dos pacientes experimentaram algum grau de dor, sendo a incidência mais alta duas semanas após a cirurgia (83,3%), embora de intensidade leve. Não houve complicações anestésico-cirúrgicas. Os achados deste estudo sugerem que a cirurgia robótica é uma opção aceitável e segura para o tratamento da endometriose, com alívio eficaz da dor e curso pós-operatório rápido. A ausência de complicações e a dor de intensidade baixa a moderada resultam em um potencial semelhante para a técnica como uma estratégia de tratamento eficaz em pacientes com endometriose profunda.
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