O GERENCIAMENTO DE PROCESSOS DE NEGÓCIOS (BPM—BUSINESS PROCESS MANAGEMENT) NA SAÚDE OCUPACIONAL
APLICABILIDADE DA MODELAGEM DE PROCESSOS NA PREVENÇÃO DE RISCOS PSICOSSOCIAIS EM TRABALHADORES DO SERVIÇO DE ENFERMAGEM
Palavras-chave:
NR-1, BPMN , Enfermagem, Saúde mentalResumo
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) evidenciam a importância dos fatores psicossociais e sua influência no desencadeamento do estresse relacionado ao trabalho. De acordo com a OIT (1984), os fatores psicossociais se constituem, por um lado, em interações entre o conteúdo do trabalho e con dições ambientais e organizacionais e, por outro, nas competências e necessidades dos trabalhadores. Segundo Araújo et al. (2023), as evoluções no mundo do trabalho e o aumento dos desafios relacionados à saúde mental dos profissionais, assim como as mudanças socioeconômicas, tem contribuído para o crescimento dos riscos psicossociais e um incremento nos problemas associados ao bem-estar dos profissionais no trabalho. O Relatório Mundial de Saúde Mental da OMS (2022), aponta em sua publicação, que no ano de 2019, um bilhão de pessoas viviam com transtornos mentais e, além disso, 15% dos adultos em idade laboral sofreram com algum transtorno mental. Ressalta-se que o trabalho amplifica questões sociais que afetam negativamente a saúde mental, incluindo discriminação e desigualdade. O bullying e a violência psicológica (também conhecidos como assédio moral) estão entre as principais queixas de assédio no local de trabalho, impactando negativamente na saúde mental. No entanto, falar sobre saúde mental ainda é um tabu nos ambientes de trabalho em todo o mundo. A Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, alinha-se com o conjunto de políticas de saúde no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde), considerando a transversalidade das ações de saúde do trabalhador e o trabalho como um dos determinantes do processo saúde-doença (BRASIL, 2012). Nesta compreensão, segundo Horcades e Vilela (2022), é fundamental tratar os riscos psicossociais, uma vez que estes têm contribuído significativamente para o aumento de adoecimentos dos trabalhadores de diversas áreas profissionais. A saúde do trabalhador deve abranger todos os aspectos que geram impactos, o que ultrapassa os riscos comumente tratados, tais como: químicos, físicos e biológicos, mas também deve alcançar os riscos ergonômicos, sejam estes físicos, organizacionais, cognitivos ou psicossociais. Conforme a Portaria Ministério do Trabalho e Emprego – MTE No 1419 de 27/08/2024,Brasil (2024), a Norma Regulamentadora NR1 sofreu alteração em sua redação, em especial ao Capítulo 1.5 que trata do “Gerenciamento de Riscos Ocupacionais”. Em sua nova atualização, com vigência a partir de 26/05/2026, traz a inclusão dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. Em conformidade ao item 1.5.3.3, a organização deve adotar mecanismos para que haja a participação de trabalhadores no processo de ge renciamentos de riscos ocupacionais. Para a Enfermagem, segundo Santos; Resck; Silva (2025), profissão intrinsecamente ligada ao cuidado humano e que lida diretamente com situações de alta carga emocional e de estresse, as mudanças introduzidas pela NR-1 oferecem tanto desafios quanto oportunidades de aprimorar as práticas de gestão e promover ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis. A adoção dessas diretrizes exige uma visão holística e integrada do ambiente laboral, considerando os múltiplos fatores que afetam o bem-estar psicológico dos profissionais, como a carga de trabalho excessiva, os conflitos interpessoais e a exposição às situações de violência física e psicológica. Diante dessas novas exigências normativas e dos desafios específicos enfrentados pela Enfermagem, torna-se necessário buscar ferramentas que auxiliem não apenas na conformidade legal, mas também na promoção de ambientes de trabalho mais saudáveis. Nesse cenário, a gestão de processos surge como estratégia organizacional relevante para estruturar práticas seguras, participativas e eficazes no enfrentamento dos riscos psicossociais. A modelagem de processos é peça fundamental para o sucesso de qualquer instituição, pois permite a introdução segura de regras, tempos, rotas e papéis funcionais no ambiente organizacional. Quer o processo já exista de forma desestruturada, quer seja um novo processo necessário para suportar um novo negócio, a modelagem do processo permite e garante a captura do conhecimento na operacionalização da atividade (AGANETTE;TEIXEIRA; AGANETTE, 2018). Como ferramenta estratégica, a modelagem em BPMN (Business Process Model and Notation) possibilita visualizar processos de trabalho, identificar pontos críticos e propor ajustes. Trata-se de um recurso facilitador para a gestão do trabalho em enfermagem, oferecendo suporte à prevenção e mitigação dos impactos dos riscos psicossociais, fortalecendo tanto a organização quanto os profissionais.
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