Interações entre a Terapia Hormonal e Riscos Tromboembólicos em Mulheres: Uma Revisão Sistemática
Palavras-chave:
Contraceptivos; Risco trombótico; Terapia hormonal; Tromboembolismo venoso; Reposição hormonal.Resumo
OBJETIVO: Investigar, por meio de revisão sistemática, as evidências sobre os riscos tromboembólicos relacionados à terapia hormonal (TH) e identificar fatores modificadores. MÉTODOS: Trata-se de uma revisão sistemática conduzida conforme diretrizes PRISMA, com busca nas bases PubMed, SciELO e LILACS, contemplando publicações entre 2014 e 2024. Após aplicação dos critérios de elegibilidade, 16 estudos foram incluídos na síntese qualitativa, abrangendo revisões sistemáticas com metanálise, estudos de coorte, casocontrole e ensaio clínico randomizado. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Observou-se associação consistente entre TH e aumento do risco de tromboembolismo venoso (TEV)/tromboembolismo pulmonar (TEP), com variação conforme modalidade e via de administração. Contraceptivos orais combinados contendo progestogênios de terceira geração e drospirenona apresentaram maior risco relativo quando comparados às formulações com levonorgestrel. A via oral esteve associada a maior risco tromboembólico em comparação à via transdérmica, cujo perfil de risco aproximou-se do basal. Fatores modificadores, como obesidade, tabagismo e idade superior a 50 anos, demonstraram efeito multiplicativo sobre o risco. CONCLUSÃO: O risco tromboembólico associado à terapia hormonal é variável e dependente da interação entre formulação, via de administração e perfil clínico individual. A estratificação de risco e a preferência por vias não orais, especialmente a transdérmica, constituem estratégias relevantes para redução de eventos tromboembólicos
DESCRITORES: Contraceptivos; Risco trombótico; Terapia hormonal; Tromboembolismo venoso; Reposição hormonal.
Abstract
OBJECTIVE: To systematically review the evidence on thromboembolic risks associated with hormonal therapy (HT) and identify modifying factors. METHODS: This is a systematic review conducted according to the PRISMA guidelines, searching the PubMed, SciELO, and LILACS databases, including publications between 2014 and 2024. After applying the eligibility criteria, 16 studies were included in the qualitative view, encompassing systematic reviews with meta-analysis, cohort studies, casecontrol studies, and clinical trials. RESULTS AND DISCUSSION: A consistent association was observed between HRT and an increased risk of VTE/PE, with variation according to modality and route of administration. Combined oral contraceptives containing third-generation progestogens and drospirenone presented a higher relative risk when compared to formulations with levonorgestrel. The oral route was associated with a higher thromboembolic risk compared to the transdermal route, whose risk profile changed from baseline. Modifying factors, such as obesity, smoking, and age over 50 years, reveal a multiplicative effect on the risk. CONCLUSION: The thromboembolic risk associated with hormone therapy is variable and dependent on the interaction between treatment, route of administration, and individual clinical profile. Risk stratification and preference for non-oral routes, especially transdermal, are relevant specific strategies for reducing thromboembolic events.
KEYWORDS: Contraceptives; Thrombotic risk; Hormone therapy; Venous thromboembolism; Hormone replacement therapy.
