ECOCIDADANIA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL CRÍTICA NOS ANOS INICIAIS
RELATO DE EXPERIÊNCIA NO PIBID
Palavras-chave:
Educação ambiental crítica, Ecocidadania, Ecopedagogia, PIBID, Formação docenteResumo
Introdução: Este trabalho discute a articulação entre Educação Ambiental Crítica, Ecopedagogia e práticas de Ecocidadania desenvolvidas no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). A experiência ocorreu com uma turma do 4º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Paulo Eiró, no município de São Paulo. O tema foi escolhido diante da necessidade de trabalhar as questões ambientais para além de orientações isoladas sobre preservação ou reciclagem. Considerou-se que a escola pode contribuir para que as crianças relacionem meio ambiente, consumo, descarte, uso da água, preservação da flora, cuidado com os espaços compartilhados, convivência e responsabilidade coletiva. Nessa perspectiva, a Ecocidadania foi compreendida como uma dimensão ética, social e política da formação escolar, vinculada tanto ao cuidado com a natureza quanto ao cuidado com as pessoas. Objetivo: Analisar de que maneira os referenciais da Educação Ambiental Crítica e da Ecopedagogia contribuíram para as atividades de Ecocidadania desenvolvidas no contexto do PIBID, considerando a participação dos estudantes e as aprendizagens construídas pelas licenciandas em sua formação inicial. Metodologia: O trabalho caracteriza-se como relato de experiência de abordagem qualitativa. Participaram das atividades 22 estudantes do 4º ano D do Ensino Fundamental, com idades entre 9 e 11 anos. A atuação ocorreu durante aproximadamente um ano e envolveu observação participante, desenvolvimento de atividades pedagógicas e análise reflexiva das práticas realizadas. Foram abordados temas relacionados a resíduos, poluição, reciclagem, flora, água, cuidado com os espaços compartilhados e valorização da inclusão. As propostas também consideraram diferentes formas de participação, com uso da oralidade, do desenho, da escuta e da cooperação entre pares, especialmente nas situações que envolviam estudantes em processo de alfabetização. A análise relacionou as situações observadas aos referenciais da Educação Ambiental Crítica, da Ecopedagogia e do pensamento complexo. Resultados e discussão: As atividades favoreceram o diálogo e ampliaram a participação oral dos estudantes. Durante as intervenções, as crianças relacionaram os conteúdos ambientais a situações de seu cotidiano escolar e comunitário. As discussões sobre resíduos e poluição permitiram ampliar a abordagem da reciclagem, incluindo reflexões sobre consumo, descarte e responsabilidade coletiva. Os temas da água e da flora contribuíram para a compreensão da interdependência entre seres humanos, outros seres vivos e recursos naturais. A experiência também evidenciou que a sustentabilidade possui uma dimensão social. A reorganização de algumas dinâmicas, de modo que os estudantes pudessem participar oralmente ou por meio de desenhos, valorizou diferentes ritmos de aprendizagem e aproximou o cuidado ambiental do respeito ao outro. Apesar dos avanços observados, permaneceram compreensões simplificadas, frequentemente associadas apenas à reciclagem ou à preservação da natureza. Esse limite mostra que a construção de uma perspectiva ambiental crítica não ocorre em intervenções isoladas e exige continuidade. Para as licenciandas, o acompanhamento da turma possibilitou relacionar os estudos teóricos às decisões pedagógicas, observar as respostas dos estudantes e refletir sobre a própria atuação. Considerações finais: A experiência indica que a Ecocidadania pode ser trabalhada nos anos iniciais por meio de práticas que articulem conhecimento ambiental, participação, inclusão e responsabilidade coletiva. O PIBID contribuiu para a aproximação entre universidade e escola pública e favoreceu uma formação docente baseada na observação, na intervenção e na reflexão sobre a prática. Como o relato se refere a uma única turma e a um contexto específico, seus resultados não devem ser generalizados. Ainda assim, o trabalho apresenta possibilidades para o desenvolvimento de propostas de Educação Ambiental que ultrapassem abordagens estritamente comportamentais e reconheçam as dimensões sociais, éticas e políticas das relações entre sociedade e natureza.
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