EDUCAÇÃO AMBIENTAL E PROTAGONISMO INFANTIL

UMA EXPERIÊNCIA NO PIBID COM CRIANÇAS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Autores

  • Glenda Hanna dos Santos Paiva Nunes Universidade Santo Amaro
  • Rita de Cassia Geraldi Menegon Universidade Santo Amaro
  • Jovino José Balbinot Universidade Santo Amaro
  • Kelly Cristina Cássia Ribeiro Universidade Santo Amaro

Palavras-chave:

Educação ambiental, Metodologias ativas, Protagonismo infantil, Sustentabilidade, PIBID

Resumo

Introdução: O cenário educacional contemporâneo tem enfrentado transformações profundas impulsionadas pelo avanço tecnológico e pela necessidade urgente de mitigar os impactos negativos das ações humanas sobre o meio ambiente, exigindo práticas pedagógicas mais participativas, contextualizadas e voltadas para a formação integral. Nesse contexto, a Educação Ambiental surge como um componente indispensável desde a infância para a formação de cidadãos conscientes e responsáveis, premissa respaldada pela Base Nacional Comum Curricular ao tratar o tema de forma transversal e interdisciplinar, conectando aspectos ecológicos, sociais e econômicos. Diante dessa realidade, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência desenvolveu um projeto de imersão prática na educação básica focado em sustentabilidade.  Objetivo: Consiste em analisar o desenvolvimento, a aplicação e os impactos de uma proposta didática de intervenção pedagógica voltada para o ensino de Ciências nos anos iniciais do Ensino Fundamental, buscando promover a compreensão da interdependência entre os seres vivos e o ambiente, estimulando a construção de atitudes de responsabilidade socioambiental e o protagonismo dos estudantes.  Metodologia: Pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza descritiva e interventiva, desenvolvida em campo em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. O levantamento de dados e as atividades práticas ocorreram entre os meses de agosto e dezembro, totalizando quatro encontros com duração média de 50 minutos cada, na Escola Estadual Paulo Eiró, instituição pública situada na Zona Sul da cidade de São Paulo. Os participantes da pesquisa foram 30 crianças com idades variando entre 7 e 8 anos. A proposta pedagógica, intitulada “Plantas, Ambiente e Relações com os Seres Vivos: O Ecocidadão e a Teia da Vida”, estruturou-se por meio de metodologias ativas e envolveu uma sequência didática composta por conversa introdutória para levantamento de conhecimentos prévios, apresentação de slides, debates em roda, a aplicação da dinâmica lúdica “A Teia da Vida” e, por fim, a confecção coletiva de um produto denominado “Mini-Painel da Rede de Vida da Escola”. A fundamentação teórica baseou-se no sociointeracionismo de Lev Vygotsky, na educação crítica de Paulo Freire, na construção ativa do conhecimento de Jean Piaget e na perspectiva da complexidade de Edgar Morin. Resultados e Discussão: Revelaram, inicialmente, que a contextualização da instituição parceira apresenta um ambiente propício para a pesquisa-ação, com infraestrutura tecnológica adequada, uso de lousas digitais e bons indicadores de desempenho (IDEB de 6,60 e IDESP de 4,69), embora ainda demande melhorias em acessibilidade arquitetônica. No que tange à execução da proposta, os dados demonstraram que o uso de metodologias engajadoras e participativas aumentou significativamente a motivação intrínseca das crianças e favoreceu a autonomia intelectual e o aprender fazendo. A dinâmica “A Teia da Vida” funcionou de maneira eficaz para materializar as relações ecológicas e a interdependência dos ecossistemas, estimulando habilidades essenciais ao ensino investigativo, tais como cooperação, argumentação, escuta e respeito mútuo. Adicionalmente, a construção do mini-painel permitiu a sistematização visual dos aprendizados e a socialização dos resultados com a comunidade escolar. Por outro lado, a análise crítica evidenciou limitações do contexto escolar real, visto que durante a dinâmica principal a turma apresentou episódios de acentuada agitação, o que exigiu do professor-mediador uma atuação firme na Zona de Desenvolvimento Proximal dos alunos para prover os andaimes necessários à aprendizagem. Evidenciou-se que a efetividade de práticas lúdicas depende intrinsecamente de etapas rigorosas de contextualização prévia e retomada posterior dos conteúdos. O tempo restrito de cada sessão e a heterogeneidade da turma também representaram desafios para o aprofundamento de conceitos biológicos complexos e para o acompanhamento individualizado. À luz da teoria da complexidade, essas imprevisibilidades não invalidam a experiência, mas reforçam a necessidade de compreender o processo educativo em suas múltiplas dimensões e ritmos. Considerações Finais: A articulação entre a formação docente inicial promovida pelo programa, as metodologias ativas e a educação ambiental potencializam o processo de ensino-aprendizagem na infância e contribui diretamente para a constituição de ecocidadãos capazes de refletir sobre sua realidade. Conclui-se que, apesar dos desafios de gestão de sala de aula e limitações de tempo identificados, o planejamento intencional e a mediação contínua do docente garantem o sucesso de propostas pedagógicas críticas, reafirmando o papel da escola pública como um território de aprendizagem, inclusão e transformação social comprometido com a sustentabilidade planetária.

 

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Publicado

2026-08-25

Como Citar

dos Santos Paiva Nunes, G. H. ., Geraldi Menegon, R. de C. ., Balbinot, J. J. ., & Ribeiro, K. C. C. (2026). EDUCAÇÃO AMBIENTAL E PROTAGONISMO INFANTIL : UMA EXPERIÊNCIA NO PIBID COM CRIANÇAS DO ENSINO FUNDAMENTAL . Ciência Aberta - Produção Discente Em Destaque, 2(3), 03-12. Recuperado de //periodicos.unisa.br/index.php/cienciaaberta/article/view/1258